Policial federal: dedicação e orgulho

A carreira de policial federal é um verdadeiro objeto de desejo para milhares de pessoas em todo o país. Os interessados em portar o distintivo e vestir a roupa preta com escritas em amarelo ouro   que caracterizam a corporação não medem esforços na busca por uma chance de fazer parte de uma das instituições brasileiras mais respeitadas no país e no exterior.

Como retorno, aqueles que alcançam o seu objetivo são brindados com uma carreira que exige dedicação ainda maior – beirando muitas vezes a abnegação – mas que gratifica em igual escala, especialmente com o sentimento de servir ao país e com o orgulho de, simplesmente, ser um policial federal.

No último dia 16, comemorou-se o o Dia do Policial Federal. Para a categoria, trata-se de uma data muito importante, em que é celebrado o reconhecimento do valor desse profissional, que muitas vezes arrisca a própria vida para cumprir o seu dever (o que também faz da data um momento para reverenciar os colegas mortos em serviço), mas que também fomenta uma avaliação da situação dos policiais e do próprio departamento. “É uma data de alegria, mas também de muita reflexão”, afirmou Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).

Entre as principais reivindicações dos policiais estão a reestruturação da carreira; a garantia de melhores condições de trabalho, inclusive no que diz respeito à disponibilidade de equipamentos adequados para o desenvolvimento das atividades policiais; e o reforço no efetivo da corporação, importante para que o órgão possa cumprir as suas atribuições, definidas pela Constituição.

De acordo com o Wink, a Polícia Federal (PF) tem tido dificuldades em desenvolver principalmente as suas atividades de polícia administrativa, o que corresponde ao policiamento de fronteiras, portos e aeroportos, o combate ao tráfico de drogas, ao contrabando, entre outros. Um dos motivos para isso seria exatamente a falta de policiais em diversas regiões do país, nos diferentes cargos que integram a corporação.

Nos dias de hoje, há cerca de dois mil cargos vagos de agente, escrivão, delegado, perito e papiloscopista na estrutura da PF. Mas segundo o presidente da Fenapef, a necessidade de mais policiais é bem maior do que a atual estrutura alcança. “Teríamos que ter no mínimo o dobro do efetivo”, avaliou Wink, que afirmou ainda que a PF possui grande parte de seu efetivo preso a atividades que definiu como “cartoriais”, ligadas à produção dos inquéritos policiais. Atualmente, o departamento conta com cerca de 12 mil policiais em atividade.

Em 2011, departamento
abrirá 1.024 vagas

Para minimizar a carência de policiais, a PF programa para o ano que vem a abertura de concursos para 1.024 vagas nos cargos de agente (396 chances), escrivão (362), delegado (150) e papiloscopista (116), todos de nível superior, com vencimentos iniciais de até R$13.368,68 (veja tabela). Os pedidos de autorização para esses concursos estão em análise no Ministério do Planejamento e o esperado é que as permissões sejam concedidas já a partir do início do ano.

Serão duas rodadas de concursos, com 512 vagas cada. Primeiramente, seriam abertas, de forma simultânea, as seleções para agente e papiloscopista, com o curso de formação sendo realizado ainda em 2011. Em um segundo momento, seriam realizados, também simultaneamente, os concursos para escrivão e delegado.

 

Caso sigam o modelo das seleções abertas pela PF no ano passado (para agente e escrivão), os novos concursos para a área policial do departamento consistirão em provas objetiva e discursiva, avaliação psicológica, exame médico e exame de aptidão física, prova prática de digitação (apenas escrivão), curso de formação, além de investigação social.

O único cargo da área policial que ficou de fora da programação de concursos da PF para 2011 foi o de perito. O que não significa que o cargo também não apresente o mesmo problema de déficit de pessoal. “Temos feito constantes cobranças por concursos para peritos”, ressaltou Hélio Buchmüller, vice-presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

Dificuldades não
diminuem o orgulho

Para Buchmüller, esse sentimento de satisfação em ser um policial federal tem início desde antes do ingresso efetivo na carreira. “Ele se inicia na Academia Nacional de Polícia, quando começamos a dar corpo ao espírito de equipe e de respeito à instituição, e se fortalece durante o cumprimento do dever”, disse.

E mesmo com todas as adversidades enfrentadas, sobretudo na busca por uma maior valorização da carreira, o orgulho não se desfaz. “Em momento algum a gente deixa de ter orgulho de uma coisa que nós construímos, que nós fizemos”, afirmou Wink, destacando que são os policiais os responsáveis pela construção da imagem que a instituição possui.

Para o diretor de Comunicação da PF, José Monteiro, a sociedade enxerga o policial federal como uma pessoa em quem ela pode confiar. “Ela enxerga sobretudo um servidor público eficiente, probo, honesto. E nós percebemos que a sociedade deposita muita confiança e esperança no trabalho da Polícia Federal”, ressaltou.

O diretor acrescentou que, na sua visão, a PF tem conseguido atender as expectativas da sociedade, e até mesmo, por muitas vezes, superá-las, sobretudo pelo fato de que ainda recai sobre o serviço público  em geral uma imagem de ineficiência, mesmo com as melhoras sensíveis nos últimos anos. “Muitas vezes o cidadão fica positivamente impressionado com as ações da Policia Federal”, observou Monteiro.

 

Delegado federal aposentado, o vice-presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Bolívar Steinmetz, demonstra, aos 70 anos, a gratidão que sente por ter feito parte da corporação. “O que eu sou, devo ao departamento. Ele me deu a integridade e o respeito pelo ser humano”, reconheceu.

Área administrativa dá
suporte aos policiais

E para que os policiais federais possam realizar as suas atividades é fundamental que contem com o suporte logístico proporcionado pelos servidores da área de apoio do departamento. São eles também que atuam na gestão administrativa do órgão, lidando inclusive com uma série de bancos de dados sigilosos.

Mas também na sua área administrativa, a PF sofre com uma defasagem muito grande de pessoal. Para dar início ao reforço no quadro de servidores de apoio, a PF irá realizar concurso para 328 vagas de agente administrativo (o pedido já está no Ministério do Planejamento e a expectativa é de autorização no início de 2011), cargo cujo requisito é o ensino médio completo e a remuneração inicial é de R$3.203,97 ao mês (vencimentos iniciais de R$2.899,97 mais auxílio-alimentação de R$304).

No entanto, de acordo com o Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (SinpecPF), um levantamento realizado pela própria PF apurou que seriam necessários cerca de sete mil novos servidores administrativos para suprir toda a demanda do departamento. O número, entretanto, foi revisto e concluiu-se que a contratação de mais três mil servidores solucionaria os principais problemas, desde que a estrutura organizacional fosse otimizada.

A criação de três mil novas vagas está prevista no projeto de reestruturação da carreira, que está em análise no Planejamento. São duas mil vagas de técnico-administrativo (de nível médio e médio/técnico, com vencimentos iniciais de R$2.899,97) e mil de analista técnico-administrativo (superior, R$3.531,32). A proposta precisa ser aprovada no ministério e, em seguida, na Casa Civil e no Congresso Nacional.

Etapas – O último concurso para agente administrativo da PF aconteceu em 2004. Se o órgão repetir o modelo de seleção utilizado, o novo concurso será composto de etapa única de provas objetivas de Conhecimentos Gerais e de Conhecimentos Específicos.

 

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